FDA aprova a primeira terapia gênica para a síndrome de Sanfilippo tipo A

O Fayuvi é o primeiro tratamento aprovado para uma doença rara que já foi chamada de "Alzheimer infantil". Dose única, aplicada na veia.

VVitóriaSocial Media da Cluster Digital26 de setembro de 20263 min de leitura
Capa com a hélice de DNA e os destaques do Fayuvi: dose única e 23,5 pontos a mais de cognição frente a crianças não tratadas.

Em 17 de setembro, a FDA aprovou o Fayuvi (rebisufligene etisparvovec-hopf), da Ultragenyx, para crianças com mucopolissacaridose tipo IIIA, a síndrome de Sanfilippo tipo A. É o primeiro tratamento aprovado para a doença. Até aqui, não existia nenhum.

O que é a síndrome de Sanfilippo tipo A

É uma doença genética rara e hereditária. A criança nasce sem produzir direito uma enzima, a sulfamidase, por causa de uma alteração no gene SGSH. Sem ela, uma substância chamada heparan sulfato se acumula nas células e vai danificando o cérebro e o sistema nervoso.

O resultado é progressivo: a criança perde linguagem e capacidades cognitivas que já tinha adquirido. É por isso que a doença às vezes é descrita como uma espécie de "Alzheimer infantil". Segundo a Ultragenyx, a expectativa de vida mediana é de 15 anos, e a empresa estima entre 3 mil e 5 mil pacientes nos mercados onde pretende atuar.

Como o Fayuvi funciona

É uma terapia gênica de dose única, intravenosa. Um vírus adeno-associado modificado (AAV9) funciona como veículo e leva para as células uma cópia funcional do gene SGSH. Com o gene funcionando, as células voltam a produzir a enzima e o acúmulo de heparan sulfato é contido.

O que o estudo mostrou

A aprovação se baseou num estudo aberto, de braço único e multicêntrico, com crianças tratadas entre 2 e 5 anos de idade. Como não há grupo placebo, a comparação foi com um grupo histórico de crianças que não receberam tratamento.

  • 17 crianças tratadas, comparadas a 27 crianças acompanhadas na história natural da doença.

  • Queda do heparan sulfato no líquido cefalorraquidiano, o marcador biológico da doença.

  • Pontuação cognitiva 23,5 pontos maior que a do grupo não tratado, na avaliação entre 24 e 60 meses de idade.

Na prática, em vez do declínio esperado para essa fase da vida, as crianças tratadas mantiveram ou melhoraram a função cognitiva.

A terapia tinha designação de medicamento órfão, Fast Track e Breakthrough Therapy. Segundo a Ultragenyx, a aprovação é regular, não acelerada, e veio acompanhada de um voucher de revisão prioritária. O preço não foi divulgado, e a previsão é começar a enviar o produto a centros de tratamento qualificados nos EUA em 30 a 60 dias.

Os riscos que estão no rótulo

Terapia gênica não é isenta de risco, e a FDA deixou isso explícito:

  • reações comuns incluem aumento de enzimas do fígado, náusea e vômito, febre, perda de apetite, queda de glóbulos brancos e plaquetas e aumento de amilase;

  • há alerta para microangiopatia trombótica, uma complicação grave;

  • existe uma preocupação de longo prazo com o risco teórico de tumor associado à integração do material genético.

O que a gente lê nisso

Para a maioria das clínicas, Sanfilippo é uma doença que talvez nunca apareça na agenda. Mas a aprovação muda uma coisa importante para pediatria, neurologia e genética: quando passa a existir tratamento, e ele foi estudado em crianças pequenas, o diagnóstico precoce passa a valer muito mais. Atraso no encaminhamento vira tempo perdido de tratamento.

Para quem comunica saúde, fica o cuidado de sempre com doença rara: a notícia traz esperança real para as famílias, e é justamente por isso que ela não pode ser contada como cura. E vale lembrar que a aprovação é da FDA e vale para os Estados Unidos. Uso no Brasil depende de avaliação da Anvisa.

Este texto é informativo e não substitui orientação médica.


Fontes

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Escrito por
Vitória
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