O Google já migrou campanhas para o AI Max sozinho: veja se a sua conta foi afetada

A migração automática começou em 1º de setembro e atinge dois grupos específicos de campanha. A janela de opt-out fechou, então agora o trabalho é diagnóstico.

VVitóriaSocial Media da Cluster Digital6 de setembro de 20267 min de leitura

Se você tem campanha de pesquisa no Google Ads, é possível que ela tenha mudado de configuração na semana passada sem que ninguém da sua equipe tenha clicado em nada.

Em 1º de setembro de 2026, o Google começou a migrar automaticamente campanhas de Search elegíveis para o AI Max, a camada de automação que amplia a autonomia da IA na escolha de termos, na geração de variações de texto e na seleção de página de destino.

A migração é automática, já começou, e a janela de opt-out preventivo fechou. O que sobra agora é diagnóstico: descobrir se a sua conta foi afetada e comparar o antes com o depois enquanto ainda dá para separar o efeito da mudança do efeito de qualquer outra coisa.

Este texto é o roteiro para fazer isso — e a lista exata de quais campanhas foram e quais não foram.

O que o AI Max ativa

São três recursos, e vale entender cada um porque eles têm riscos diferentes:

  • Expansão de termos de busca. A IA vai além da sua lista de palavras-chave e exibe o anúncio em buscas relacionadas que ela julga relevantes.

  • Personalização de texto. Geração automática de variações do seu anúncio.

  • Expansão de URL final. O Google escolhe a página de destino que considera mais relevante para aquela busca, e não necessariamente a que você definiu.

O primeiro é o que mais queima verba quando o negativo está fraco. O terceiro é o que mais quebra funil: uma busca de fundo de funil que cai numa página institucional em vez da landing page de conversão.

Quais campanhas migraram, e quais não

Essa é a parte que quase nenhum material explicou direito. Só dois grupos entraram na migração automática:

  1. Campanhas com Recursos Criados Automaticamente (ACA) ativado — migraram com expansão de termos e personalização de texto ligadas por padrão.

  2. Campanhas com correspondência ampla configurada em nível de campanha — migraram apenas com expansão de termos.

E o que não foi afetado:

  • campanhas padrão com anúncios responsivos de pesquisa e tipo de correspondência definido em nível de palavra-chave;

  • campanhas exclusivamente em correspondência exata ou de frase;

  • Performance Max, Shopping, Display e Vídeo;

  • Dynamic Search Ads, que estavam no cronograma de setembro e foram adiados. A criação de novos DSA encerra agora, mas a migração dos existentes foi empurrada para fevereiro de 2027 depois de reação do mercado.

Ou seja: se a sua conta usa correspondência no nível da palavra-chave e você nunca ligou ACA, provavelmente nada mudou. Se você ligou ACA em algum momento — e muita gente ligou sem pensar, porque o Google sugere isso na interface com aquele aviso de "melhore sua pontuação de otimização" — a sua campanha migrou com os dois recursos ativos.

O prazo final para tudo é fevereiro de 2027.

O número do Google, e o que ele não diz

O Google divulga que campanhas usando o conjunto completo de recursos do AI Max veem, em média, 7% mais conversões ou valor de conversão com CPA ou ROAS similar.

É um número modesto e, por isso mesmo, provavelmente honesto — ninguém inventa 7%. Mas há três coisas que ele não diz, e são as que importam:

  • É média. Média esconde distribuição. Como a gente mostrou na análise do Andromeda da Meta, automação de plataforma tende a puxar para cima quem operava mal e para baixo quem operava muito bem. Se a sua conta era bem gerida, a sua chance de estar na cauda ruim dessa média é maior.

  • "Conversão" é o que você definiu como conversão. Sete por cento mais conversões não vale nada se o seu evento otimizado é "visitou a página de obrigado" e não venda faturada. O AI Max vai encontrar com eficiência mais pessoas que fazem a coisa errada que você pediu.

  • CPA similar não é margem similar. Lead mais barato de qualidade pior mantém o CPA e destrói a taxa de fechamento. É o alerta que gestores brasileiros vêm fazendo desde o anúncio: o risco não é o custo por lead subir, é a rentabilidade real cair sem aparecer na tela do gerenciador.

O diagnóstico de hoje, em sete passos

A migração já rodou. Então o trabalho é este:

  1. Liste as campanhas afetadas. Filtre por quais têm ACA ativado e quais têm correspondência ampla em nível de campanha. Esse é o seu universo de risco.

  2. Recupere a linha de base de agosto. CPA, taxa de conversão, ticket, taxa de fechamento e custo por venda até 31 de agosto. Sem esse número, daqui a três semanas você não vai saber se piorou.

  3. Abra o relatório de termos de pesquisa. É onde a expansão aparece primeiro. Procure termo que você nunca compraria: pesquisa informacional, concorrente, "grátis", "como fazer", termo de outra categoria.

  4. Reforce as negativas com o que apareceu no passo 3. Lista negativa fraca é o que transforma expansão de termos em torneira aberta.

  5. Confira a expansão de URL final. Se o Google está mandando busca comercial para página institucional, exclua as URLs que não devem receber tráfego pago.

  6. Revise os ativos gerados por IA. Campanhas migradas permitem remover ativo gerado automaticamente e aplicar diretriz de marca. Leia o que a IA escreveu no seu nome antes de decidir se fica.

  7. Meça qualidade de lead, não volume. Puxe do CRM a taxa de fechamento dos leads de setembro contra os de agosto, por campanha. É o único teste que pega degradação de qualidade a tempo.

O passo 7 depende de uma coisa que muita conta não tem: conversão de negócio chegando de volta na plataforma. Se o seu evento otimizado é clique em botão, você está pedindo para a IA do Google otimizar para quem clica em botão. É o mesmo problema que a gente destrinchou em medição server-side.

Dá para sair?

Parcialmente, e com uma ressalva.

Desativar os Recursos Criados Automaticamente e desligar a correspondência ampla em nível de campanha era o caminho para evitar a migração automática — só que isso precisava ser feito antes de 1º de setembro. Depois da migração, as campanhas ficam com controles próprios: restrição de marca, exclusão de URL, relatório de termos e remoção de ativos gerados por IA.

A ressalva é estratégica, e a gente prefere dizer com clareza: fugir da automação não é plano de longo prazo. O prazo final é fevereiro de 2027, e a direção das duas maiores plataformas de mídia do mundo é a mesma. A Meta moveu a decisão de entrega para dentro do modelo com o Andromeda; o Google está movendo a decisão de correspondência e de criativo com o AI Max.

Quem passar os próximos dezoito meses tentando manter controle manual vai perder duas vezes: perde a eficiência da automação agora e perde a migração forçada depois, sem ter aprendido a operar no modelo novo.

O trabalho que sobra para o gestor não é apertar botão. É definir a regra: qual conversão importa, qual o teto, qual o critério de corte, o que é lead bom. Menos ajuste operacional, mais controle sobre o que de fato gera resultado.

O que a gente lê nisso

Setembro de 2026 vai ficar marcado como o mês em que as duas maiores plataformas de mídia terminaram de tirar a decisão operacional da mão do anunciante. A Meta pelo criativo, o Google pela correspondência.

E as duas fizeram isso da mesma forma: por padrão, com opt-out escondido em configuração que ninguém revisa, e com um número de performance médio bonito o suficiente para desencorajar pergunta.

Isso não é motivo para pânico nem para resistência. É motivo para fazer o que a gente sempre faz antes de qualquer campanha subir, que é o Diagnóstico Inteligente: revisar base, funil, tracker e criativos. Porque quando a plataforma decide, a única alavanca que sobra do seu lado é a qualidade do sinal que você manda e a clareza da regra que você define.

É a nossa tese de sempre, detalhada em IA na camada de decisão. A diferença é que agora ela não é opcional: a decisão foi automatizada com ou sem a sua autorização.

Se você não sabe quais campanhas da sua conta migraram, é a primeira coisa que a gente levanta na gestão de tráfego.


Fontes

V
Escrito por
Vitória
Social Media da Cluster Digital

Responsável pelo conteúdo e pelas redes da Cluster Digital.

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